Um leitor deixou um comentário bem intrigante no meu post sobre o Concurso do Ministério do Trabalho e Emprego (e por burrice minha, acabei apagando invés de aprovar o comentário). Ele questionou a minha contradição, quando eu dizia que considerada que a prova fora fácil e ao mesmo tempo dizia que errei muitas questões. Ele não deixa de ter razão no comentário, mas eu tenho algumas justificativas.
Primeiramente, eu ter errado várias questões não quer dizer necessariamente que estas eram difíceis. Como eu disse, em muitas dessas me faltaram experiência necessária em provas do tipo, para perceber, por exemplo, onde a banca colocaria o erro da questão – colocaria a palavra que muda o sentido da assertiva e torna a afirmação falsa, por exemplo.
Outra coisa: eu considerei a prova fácil no geral, mas em algumas situações bem específicas ela se tornou complicada (para mim), muito em função de eu ter um vício no estudo que deve ser sanado de todo modo, urgentemente: não ter muito apreço para estudar lei seca. Isso complicou a minha vida em legislação específica – que foi quase 100% de literalidade dos artigos das leis e decretos constantes no edital – e em algumas questões de administrativo também.
Outro ponto é que há, por parte de muitos concurseiros, um terrorismo enorme a respeito das provas elaboradas pelo CESPE/UnB. Quando eu digo que foi uma prova fácil no geral, é por que eu esperava algo bem mais complexo. Eu não vi uma prova realmente complexa, para chegar ao ponto de falar “tive que raciocinar muito”, pelo contrário, poucas questões realmente necessitavam de muito raciocínio, mas sim de muita atenção. Essa atenção, infelizmente, só se adquire com experiência, e foi aí que a prova me derrubou.
Mas ao contrário do que o leitor disse, que não existe prova fácil, aqui eu discordo relativamente dessa opinião. Isso depende muito do ponto de referência. Se for comparar uma prova de agente administrativo com a prova objetiva de concurso de magistratura, não há como negar que uma é mais fácil que a outra. Como para essa prova eu não tinha muito referencial, somente o terrorismo que eu ouvia de colegas, achava que a prova seria bem difícil, mas não o foi.
Não sei bem como explicar isso, mas para mim é conceitualmente diferente uma prova perigosa – cheia de cascas de bananas pelo caminho – de uma prova difícil, que exija um conhecimento aprofundado. (Questões que perguntam prazo, por exemplo, não possuem complexidade nenhuma, não exigem raciocínio; pelo contrário, apenas que o candidato tenha decorado tal lei.)
Finalizando, não acho que foi uma prova que exigia do candidato conhecimento demasiadamente aprofundado nas matérias. E fica a nota mental: estudar a lei seca é fundamental.