Prova difícil ou perigosa?

Em 26/12/2008

Um leitor deixou um comentário bem intrigante no meu post sobre o Concurso do Ministério do Trabalho e Emprego (e por burrice minha, acabei apagando invés de aprovar o comentário). Ele questionou a minha contradição, quando eu dizia que considerada que a prova fora fácil e ao mesmo tempo dizia que errei muitas questões. Ele não deixa de ter razão no comentário, mas eu tenho algumas justificativas.

Primeiramente, eu ter errado várias questões não quer dizer necessariamente que estas eram difíceis. Como eu disse, em muitas dessas me faltaram experiência necessária em provas do tipo, para perceber, por exemplo, onde a banca colocaria o erro da questão – colocaria a palavra que muda o sentido da assertiva e torna a afirmação falsa, por exemplo.

Outra coisa: eu considerei a prova fácil no geral, mas em algumas situações bem específicas ela se tornou complicada (para mim), muito em função de eu ter um vício no estudo que deve ser sanado de todo modo, urgentemente: não ter muito apreço para estudar lei seca. Isso complicou a minha vida em legislação específica – que foi quase 100% de literalidade dos artigos das leis e decretos constantes no edital – e em algumas questões de administrativo também.

Outro ponto é que há, por parte de muitos concurseiros, um terrorismo enorme a respeito das provas elaboradas pelo CESPE/UnB. Quando eu digo que foi uma prova fácil no geral, é por que eu esperava algo bem mais complexo. Eu não vi uma prova realmente complexa, para chegar ao ponto de falar “tive que raciocinar muito”, pelo contrário, poucas questões realmente necessitavam de muito raciocínio, mas sim de muita atenção. Essa atenção, infelizmente, só se adquire com experiência, e foi aí que a prova me derrubou.

Mas ao contrário do que o leitor disse, que não existe prova fácil, aqui eu discordo relativamente dessa opinião. Isso depende muito do ponto de referência. Se for comparar uma prova de agente administrativo com a prova objetiva de concurso de magistratura, não há como negar que uma é mais fácil que a outra. Como para essa prova eu não tinha muito referencial, somente o terrorismo que eu ouvia de colegas, achava que a prova seria bem difícil, mas não o foi.

Não sei bem como explicar isso, mas para mim é conceitualmente diferente uma prova perigosa – cheia de cascas de bananas pelo caminho – de uma prova difícil, que exija um conhecimento aprofundado. (Questões que perguntam prazo, por exemplo, não possuem complexidade nenhuma, não exigem raciocínio; pelo contrário, apenas que o candidato tenha decorado tal lei.)

Finalizando, não acho que foi uma prova que exigia do candidato conhecimento demasiadamente aprofundado nas matérias. E fica a nota mental: estudar a lei seca é fundamental.

Concurso MTE 2008

Em 22/12/2008

Um dos motivos da inatividade desse blog foi eu estar estudando para o concurso do Ministério do Trabalho e Emprego, foi realizado ontem (domingo). Por incrível que possa parecer nos dias de hoje, esse foi a primeira prova de concurso público que eu fiz na vida. Obviamente, falo dos que se referem ao ingresso no serviço público (já havia feito vestibular para universidade federal).

Não vou negar que até que eu estudei bem. Como nunca havia tido contado com Direito Administrativo, tive que gastar um tempo me dedicando somente a esta matéria, já que iria competir em um pé de desigualdade desleal se fosse sem conhecer bem essa matéria. Quanto a isso gastei um bom tempo com os livros do Hely Lopes Meirelles e o onipresente Marcelo Alexandrino/Vicente Paulo.

Direito Constitucional, como eu já tenho contato na faculdade, além de ser uma das minhas favoritas, não foi problema estudá-la. E ainda a matéria do edital no que tange Constitucional era bem pequena (direitos fundamentais, poder executivo e ordem social).

Português, informática, ética e atendimento ao público dispensavam estudos. Arquivologia me preocupou no início, mas depois que eu vi como o assunto foi abordado pela CESPE/UnB em várias provas anteriores da banca (sim, eu vi umas duzentas provas anteriores), fiquei despreocupado.

Legislação específica, entretanto, foi um show de horrores do CESPE/UnB. A seleção de leis do edital foi muito confusa, com várias leis contendo diversos dispositivos já revogados, com interpretações dúbias conflitando com dispositivos mais novos etc.

Pois bem, a prova em si eu considerei fácil. As diversas cascas de bananas espalhadas pela prova, entretanto, fizeram um inexperiente em certames de serviço público como eu perder pontos importantes. A falta de experiência pesou, principalmente minha mania de me ater muito a doutrina e deixar a lei seca de lado.

Aparentemente, pelos gabaritos extra-oficiais que andei vendo por alguns sites, fico perto de gabaritar as provas de português, informática, arquivologia, ética, atendimento ao público e processo administrativo. Constitucional estava fácil, porém, as pegadinhas me fizeram derrapar feio e perdi vários pontos por marcar questões incorretamente.

A parte de Administrativo eu também considero que estava fácil. Mas não ter gasto um tempo com a lei seca me prejudicou, como nas questões que falava sobre o direito às férias de servidor público e substituição legal. Perdi muitos pontos aqui.

Mas a parte de legislação específica é que foi o freak show. Aqui não tinha jeito, tinha que estudar pela lei mesmo. Estranhamente, o CESPE/UnB não colocou dentro da matéria nada da CLT, apenas leis e decretos avulsos (que, como disse, vários deles estavam desatualizados e cheios de conflitos).

Quem se dedicou a decorar o regimento do ministério e suas infindáveis competências, perdeu tempo. Foi muito pouco abordado a assunto, face o tamanho do decreto a ser estudado. De outro lado, no tocante à CTPS, Seguro-desemprego, RAIS e CAGED, foram muitas questões. Se o candidato decorou a lei, se deu bem. Eu, com minha memória fotográfica chegando perto de zero, tive muitas dificuldade, principalmente em relação a prazo e valores de qualquer natureza.

O fato é que a trapalhada que o CESPE/UnB fez ao selecionar leis velhas, já desatualizadas - quando não revogadas - vai causar uma enxurrada de recursos. Eu não duvido que o número de questões anuladas (dentre essas de legislação específica) passe de dez.

Agora é esperar o gabarito oficial para ver qual foi o rendimento. Admito não ter sido o desempenho esperado, mas me conforta não ter sido por falta de conhecimento da matéria, mas sim por falta de costume com os nuances desse tipo de prova. Nada que a experiência e o treinamento não resolvam. Agora é descansar um pouquinho nesse fim de ano (mais do que necessário esse descanso, já que 2008 pra mim foi um ano bem desgastante), para voltar aos estudos com tudo em 2009.

Meme: Aleatoriedades

Em 22/12/2008

A Dani Toste, do Sapere Aude, me convidou para um meme bem legal. Como o meu tempo tava sendo mínimo, para não dizer inexistente, para dar a devida atenção ao blog, demorei a responder.

Primeiramente, o meme funciona da seguinte maneira:

1. Apresente a pessoa que te convidou.
2. Coloque as regras em seu blog.
3. Escreva seis coisas aleatórias sobre você.
4. Escreva duas verdades e uma mentira sobre você. Deixe os usuários descobrirem qual é qual.
5. Escolha mais seis pessoas e coloque os links no final do artigo.
6. Avise a pessoa que o convidou, deixando um comentário no blog original.
7. Avise seus convidados que eles foram escolhidos.

Passo um já feito, vamos ao passo dois, as tais das aleatoriedades:

Aleatoriedade 1: Eu odiava ler até alguns anos. Não fui a típica criança incentivada a ler pelos pais. Mas desde que decidi cursar Direito, resolvi perder esse “hábito”. Comecei lendo a coleção de Harry Potter. Bem, funcionou! Hoje sou viciado em livros.

Aleatoriedade 2: Também sonho em ter uma biblioteca própria (assim como a Dani).

Aleatoriedade 3: Meu sobrinho preferido (o único), Vitinho, de um ano e meio de idade, me chama da “Dedé”.

Aleatoriedade 4: Adoro cachorros. Tenho dois: a Funny e o Cookie.

Aleatoriedade 5: Eu detesto ler lei, qualquer que seja. Leio um livro inteiro com o maior prazer do mundo, mas sempre fico indisposto se tiver que ler uma lei de quinze artigos. É mais um vício que eu vou ter que corrigir (principalmente para os concursos da vida).

Aleatoriedade 6: Assim como a Dani, “Eu tenho cara de bravo, antipático e sei lá mais o que. Normalmente pessoas que não me conhecem acham que eu sou bravo”. Só que, ao contrário dela, meus amigos acham sim que eu sou bravo, bastante bravo! (No linguajar aqui da terra, eu pego ar fácil).

E agora as duas verdades e a mentira a respeito da minha pessoa:

1. Meu estilo de música preferido é o Rock. Quanto mais pesado, melhor! Odeio Axé Music… Asa de Aguia? Chiclete com Banana? Bleh…

2. Eu sei tudo sobre futebol americano, praticamente um “fanático”.

3. Não como queijo.

Advinhem!

Como ando por fora da blogosfera, não sei bem quem convidar para esse meme, e também para não incorrer no erro de convidar alguém que já tenha participado. Por isso, se você tem um blog e também anda sem muito assunto para escrever, sinta-se convidado a participar deste meme.

De qualquer forma, valeu pelo convite, Dani.

Quem é culpado no Brasil

Em 15/10/2008

Quem disse que não dá pra usar Ciência da Computação no Direito? Exercício básico usando regra de inferência:

Premissa A:

CF/88, art. 5º, LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Premissa B:

No Brasil, só transita em julgado sentença penal condenatória de pobre, visto que os mais abastardos exaurem todos os recursos e embargos disponíveis até que o crime prescreva.

Premissa C:

No Brasil, só pobre será considerado culpado.

Em outra palavras, A e B implicam C.

Lula critica TV Justiça e transmissões do STF ao vivo

Em 9/09/2008

O presidente Lula mirou sua verborragia na TV Justiça e criticou às transmissões ao vivo das sessões plenária do STF.

Ele teme que, ao serem transmitidos em rede nacional, e sem cortes, os ministros podem sentir-se tentados a espetacularizar seus discursos. Ou seja, ele acha que os ministros podem querer fazer um bonito por estarem sendo vistos pela televisão - assim como os políticas de Lula fazem.

Sinceramente, não vejo mal nisso. Pelo contrário, acredito que essas transmissões aproximam o STF da sociedade: sabendo que está sendo visto pela sociedade, o ministro pode sentir-se influenciado para que seu voto ou sua postura seja mais acessível ao simples cidadão, algo que falta no judiciário brasileiro, invés de falar com exageros de lingüística (expediente comum do min. Marco Aurélio, p. ex.).

Por cima, o presidente sugeriu que as sessões sejam gravadas e editadas para serem mostrados apenas os “melhores momentos”. Sugestão que beira o ridículo, por sinal. Implementar-se-ia a censura na casa que serve justamente para coibi-la. Alguém duvida que o ministro Joaquim Barbosa, por exemplo, famoso por assumir, freqüentemente, um populismo judicial (como fez ao questionar o min. Eros Grau, que concedia um Habeas Corpus em favor de um dos presos na Operação Satiagraha), seria literalmente censurado?

No mais, o STF serve para resolver controvérsias constitucionais. De certa forma, portanto, tudo que é discutido na Corte Suprema é de interesse da sociedade. Não há o menor cabimento em vetar partes dessas discussões. Se virou praxe os ministros baterem boca e lavarem roupa na plenária - e o presidente da república acha que isso pega mal - não é a população e a democracia brasileira que devem ser afetadas.

Não dava para esperar outra coisa de um presidente da república que manda a Constituição Federal se foder, entre outras coisas.