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Série: coisas que só acontece em Alagoas – #1

O Célio Gomes reportou em seu blog uma situação inusitada no porto de Maceió:

17h45 - Boa parte dos turistas que desembarcou hoje em Maceió, pelo porto da capital, já chegou esculhambando nossa cidade. Com razão.

O motivo dos xingamentos ao paraíso das águas foi a desorganização com taxistas e ônibus. Quando descem do navios, os turistas já encontram uma fila de táxis para passeios pelos destinos mais procurados. Acontece que, ainda no navio, muitos viajantes acertam o passeio por terra de ônibus – e esses estão à espera lá no porto também.

Aí, os taxistas resolveram se revoltar com a perda de clientes para os ônibus previamente acertados por agentes de turismo. Os motoristas e seus táxis bloquearam a saída dos ônibus.

Foi aquela gritaria. “Isso só acontece aqui. Um absurdo”, berravam aqueles que vieram se divertir em Maceió. Sobrou até para jornalistas que cobriam o fato. Muitos turistas desceram dos ônibus e deixaram o porto caminhando, em direção às praias mais próximas.

Bem, de quem é a responsabilidade por essa lambança turística? Tem pra todo mundo: as secretarias municipal e estadual, claro, e a direção do porto. Não é possível que as autoridades permitam que esse tipo de recepção continue a “fomentar” um dos segmentos da economia alagoana. O que se viu no episódio foi uma mistura de amadorismo e irresponsabilidade daqueles que deveriam organizar as coisas.

Esse burburinho todo acontece a cerca de 100 metros aqui da delegacia da Receita Federal e afirmo: é impressionante a quantidade de navios que chega aqui em Maceió com turistas, e mais impressionante ainda é a fila de taxistas na entrada do porto, atrapalhando o trânsito.

E piora: em certos, dias o batalhão de trânsito da Polícia Militar resolve fazer blitz alguns metros depois. Vira o caos.

Certas coisas aqui em Alagoas são tão desorganizadas que fico com a sensação de que nós fazemos questão de que seja assim.

Dinheiro pra festa tem

Excelente artigo da Gazeta de Alagoas falando sobre a “farra” que é a aplicação das verbas do Ministério do Turismo em festejos pelo estado de Alagoas. Separei dois trechos em especial:

“Farra com dinheiro público”. É assim que pode se definir o envio de recursos do Ministério do Turismo para a promoção de shows em municípios de todo o País, por meio de emendas parlamentares.

(…)

Não bastasse o fato de a União ter encaminhado R$ 6,2 milhões para bancar as festas promovidas em 2009 pelos mesmos prefeitos alagoanos que ameaçavam fechar seus municípios, por conta dos efeitos da crise mundial no Estado que detém os piores indicadores sociais do Brasil, os nove deputados federais que se mantêm na disputa eleitoral este ano pretendem promover 82 eventos com um valor bem superior ao do ano passado. De acordo com os dados colhidos junto à Comissão Mista de Planos, Orçamentos e Fiscalização do Congresso Nacional, são R$ 20 milhões distribuídos em dez emendas à rubrica “Promoção de Eventos para Divulgação do Turismo Interno”. O montante representa mais que o triplo do valor pago pela realização dos shows no ano passado.

Posso falar como prestigiador desses eventos. Na última sexta-feira fui a um deles, o Festival de Verão da Praia do Francês, e este impressionava pelas dimensões. No caso desse Festival até se justifica o investimento, já que se trata de um destino praiano de Alagoas e o boom turístico com o evento foi gigante. As festa de São João da cidade de Marechal Deodoro, onde também fica a Praia do Francês, também foram megalomaníacas – possivelmente as maiores em todo o estado.

Mas a situação é esdrúxula quando pequenas cidades do interior, com poucos milhares de habitantes, começam a gastar mais dinheiro com festas do que com o essencial. Confesso que no ano passado eu até me surpreendia ao descobrir a existência de certos municípios que eu nunca ouvira falar, mas que apareceram com grandes festas – tudo com dinheiro do Ministério do Turismo, claro.

Como bem diz o Davi Soares, repórter da Gazeta, autor do artigo, a promoção do turismo com verbas da União, na verdade, veio substituir os velhos e conhecidos “showmícios” – que foram abolidos. Com esses Festivais e os artistas mandando abraços e agradecendo a cada cinco minutos os políticos locais pela realização do evento, os “showmícios” voltam e ainda por cima bancados pela União.

"Coincidências"

Na terça-feira, dia 5/1/2010, roubam o carro do deputado Fernando Toledo na Barra de São Miguel:

Dois meses após a invasão da casa do deputado estadual Sérgio Toledo (PDT), o novo parlamentar vítima da violência urbana na Barra de São Miguel é o próprio presidente da Assembleia Legislativa (ALE), Fernando Toledo (PSDB), que teve o carro roubado por dois assaltantes. A esposa dele, a ex-deputada Lucila Toledo, foi vítima de um sequestro relâmpago quando estacionava na charmosa Villa Niquim, na terça-feira à noite, ficou quase duas horas sob a mira de um revólver e foi largada num canavial, na estrada, próximo ao município de São Miguel dos Campos.

Quinta-feira, dia 7/1/2010, a polícia faz uma operação e prende vários criminosos na… Barra de São Miguel:

Durante entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (07), o delegado Paulo Cerqueria revelou detalhes sobre a operação ‘Maçunim’, desencadeada no início desta manhã, em Maceió e na Barra de São Miguel. A operação foi iniciada com base nas investigações do Serviço de Inteligência da Polícia Civil e cumpriu oito mandados de prisão, busca e apreensão. A entrevista ocorreu na sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), no bairro do Farol.

Muito bom o timing da polícia alagoana, não? [/ironia]